Portugal na vanguarda da democracia do século XXI

Foto tirada na estação de Alcântara, vale a pena ir ver.
Foto tirada na estação de Alcântara, vale a pena ir ver.
]1 Foto tirada na estação de Alcântara, vale a pena ir ver.

É sobre colocar a tecnologia ao serviço das pessoas, dos portugueses, da democracia que vos venho falar hoje. Antes de mais há 40 anos deram-nos a democracia e a liberdade. Podemos estar descontentes com o rumo que a democracia tomou, mas todos devemos estar eternamente gratos a quem lutou e morreu para que hoje tivéssemos essa liberdade. Muito obrigado. Ofereceram-nos uma ferramenta – a democracia – mas não nos disseram como usá-la. Não é perfeita, há maneiras de a aperfeiçoar.

No one pretends that democracy is perfect or all-wise. Indeed, it has said that democracy is the worst form of government except all those other forms that have been tried from time to time. Winston Churchill

A maior (des)vantagem da democracia é que é tão boa quanto as pessoas que a fazem. Esta característica é tramada porque responsabiliza-nos todos. Significa que a culpa não é só “deles”, é também “nossa”. É nossa quando os elegemos. É nossa quando dizemos que “a política não me diz nada” ou que “é muito complicada”. É nossa quando não criamos ou apoiamos alternativas. É nossa quando não votamos e achamos que somos os maiores.

Ao não participar na democracia estamos a entregar voluntariamente mais poder a quem participa de facto, nomeadamente aos partidos que corroem o país, que saem assim reforçados a cada eleição. É um ciclo vicioso. Actualmente, os destinos de Portugal são decididos por uma percentagem mínima dos portugueses.

Tomemos o exemplo as legislativas de 2011, ano em que Passos Coelho foi eleito primeiro-ministro. Com base na Pordata vou considerar como população votante aqueles com uma idade entre 20 e 70 anos – portanto, uma estimativa por baixo. Destas 9.966.236 pessoas, 41,97% decidiu não votar. Se somarmos a esta abstenção os votos nulos e os votos brancos obtemos 44% de votos inválidos que não contam para nada. Conclusão 1: Mais de 4 milhões de portugueses auto-exclui-se da democracia. São 67 Estádios da Luz totalmente cheios.

Ainda nas legislativas de 2011, o PSD ganhou com 38,66% de todos os votos válidos. Como de todos os votos apenas 56% foram válidos e desses apenas 37,66% foram para o partido vencedor, é só fazer as contas para se perceber que bastaram 1.508.162 votos para o PSD ganhar. Conclusão 2: Desde 2011 que estamos a ser governados por um partido eleito por 21% dos portugueses. Isto não é uma opinião, é matemática. Numa democracia é a maioria que ganha, mas 21% está muito longe de ser a maioria dos portugueses. Ninguém aqui fez batota, bastou-lhes seguir as regras do jogo, nós é que preferimos ser treinadores de bancada do que jogadores.

A nova geração – aquela altamente qualificada, com acesso a tecnologia e informação formidável – essa geração seria a mais preparada para participar e trazer novas ideias para o sistema. Mas essa geração limita-se a usar o Facebook para convocar manifs. Somos capazes de melhor e estamos a melhorar. Nas últimas autárquicas surgiram numerosas candidaturas independentes, prova de que os cidadãos estão a envolver-se na democracia e a criar alternativas. Há pequenos partidos a colocar de parte as suas divergências e a unirem-se para formar partidos mais representativos. Timidamente começam a surgir núcleos que criam tecnologia para resolver os problemas dos portugueses.

DCID, a primeira plataforma portuguesa para debate e voto online
]9 DCID, a primeira plataforma portuguesa para debate e voto online

É precisamente sobre colocar a tecnologia ao serviço das pessoas e da democracia que vos escrevo. Depois de assistir a demasiadas manifestações e greves o ano passado pensei que devia haver uma maneira de eliminar todo aquele ruído e chegar às propostas que eram de facto apregoadas. Um sítio onde todos tivessem a liberdade de sugerir como melhorar Portugal e onde todos tivessem o poder para decidir quais as melhores propostas. Assim surgiu a ideia para o DCID. E depois de dedicar 10 fins-de-semana a esta causa, a ideia tornou-se realidade e a partir de hoje és tu quem dcid. Trata-se de um protótipo mas já tem o suficiente para ser útil e será tanto mais expressivo quanto mais pessoas participarem.

Não deixes que outros decidam por ti. DCID agora.

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